Comunidades, redes e grupos virtuais – novos espaços de aprendizagem

Pensar, refletir, analisar discutir é o grande desafio que se apresenta aos educadores da atualidade sobre as possibilidades e resultados da utilização da web no processo educacional. Pois a educação do futuro é aquela que deve proporcionar a formação de cérebros para a cooperação, para a relação harmoniosa entre os seres que habitam o nosso planeta e ainda, é aquela que prepara pra a vida, para tomar decisões, pra integrar conhecimento. Trata-se de uma educação que prepara o indivíduo para agir, não apenas reagir: planejar e não apenas executar. E diríamos ainda: criar e desenvolver a intuição e a sensibilidade.
Hoje, as tecnologias digitais de informação estão cada vez mais presentes em todos os segmentos da sociedade, concorrendo para que surjam novas formas em relação à produção e aquisição de saberes. Assim, surgem novos processos, tais como a aprendizagem e o trabalho cooperativos assistidos por computador, que se traduz em aprendizagem cooperativa. Isso nos leva a uma realidade possível, onde cursos e treinamentos são ministrados à distância, e o trabalho pode ser efetuado por pessoas que estão em diferentes locais.
A presença de três princípios faz com que o crescimento do ciberespaço se torne possível. São eles:
• a interconexão;
• a criação de comunidades virtuais;
• a inteligência coletiva.
A interconexão é fundamental, pois não é possível pensar em ciberespaço sem a ideia de rede. Por outro lado, para o funcionamento da grande rede de informação a que chamamos Internet, é necessário que todos os computadores estejam conectados e se comunicando entre si. O segundo princípio, diz respeito à própria construção de massa crítica representada pelo número cada vez maior de pessoas, que se reúnem por interesses em comum, participando de listas de discussão. E neste processo vão construindo novas formas de opinião pública. É salutar lembrar que sem a interconexão o diálogo entre pessoas de uma mesma comunidade virtual e das comunidades virtuais entre si seria impossível
O conceito de comunidade é imensamente discutido na área social, mas há apenas um elemento com o qual todos os autores, invariavelmente, concordam: o fato de que se refere a um grupo de pessoas. Ao mesmo tempo, o conceito de rede social também se refere a uma metáfora estrutural para a observação de atores e suas relações. Ou seja, ambos os conceitos referem-se diretamente à existência de um grupo social.
As comunidades virtuais de aprendizagem realizam comunicações interativas, onde
as normas, os valores e os comportamentos são definidos na própria comunidade. As comunidades virtuais de aprendizagem foram gestadas no espaço midiático da Internet e representam novas possibilidades para o
processo de ensino e aprendizagem, tanto no âmbito da educação formal (escolas tradicionais) como no da educação não formal (educação comunitária, educação para avida).
Considera-se comunidade virtual de aprendizagem redes eletrônicas de comunicação interativa, organizada em torno de um projeto mútuo. Elas são constituídas a partir de interesses comuns de conhecimento estabelecidos em um processo cooperativo.
A rede é constituída pelos atores – as pessoas- e as interações que são trocadas, compreendendo a comunidade virtual como um tipo específico de grupo social (e portanto, de rede social). As ferramentas de rede permitem as pessoas a conhecer, interagir e compartilhar ideias, artefatos e interesses com o outro.
A rede social até a presente data tem encontrado aplicações principalmente nos contextos de aprendizagem informal e de entretenimento no entanto, há um interesse crescente na sua utilização na educação formal presencial, à distância e modos misturados.
O futuro de uma aprendizagem enriquecida pelo recurso das tecnologias da informação não se encontra apenas na “produção de conteúdos”, na “distribuição de conteúdos” – ou, como abusiva e mecanisticamente se dizem, na “transmissão” de conhecimento – a partir de grandes repositórios electrónicos de “saber” para as cabeças vazias dos aprendentes. Está, sim, a nosso ver, em tornar possível a construção de saberes pelos próprios aprendentes, em ambientes ativos e culturalmente ricos – ambientes que raramente existem no contexto escolar, que o recurso inteligente a novos media pode reforçar e nos quais se aplicam paradigmas completamente distintos dos do passado.
Anderson, coloca que as aplicações de redes sociais em de e-learning servem a três funções amplas a que ele se refere como a socialização, partilha e peregrinando.
Como todas as tecnologias, o uso de redes sociais apresenta tanto oportunidades quanto desafios para educadores e alunos. , algumas instituições de ensino e locais de trabalho desencorajam ativamente ou bloqueiam o acesso a sites de redes sociais em tentativas equivocadas para restringir a exploração aluno e o uso dessas ferramentas potencialmente distração. Em segundo lugar, a rede social é nova e pode desafiar os alunos e professores. Em terceiro lugar, a rede social é uma tecnologia muito perturbadora, que desafia muitas das nossas noções de privacidade, individual e controle institucional – geralmente movendo o controle da instituição e do professor para o aluno. Em quarto lugar, a rede social oferece ferramentas que podem ser usadas para o plágio, a fraude, assédio e outros tipos de má conduta acadêmica e social. Nenhum desses desafios são insuperáveis, mas destacam os desafios de implementação rápida e atacado e apontam para a necessidade de projetos-piloto que orientam as políticas de adaptação, treinamento e desenvolvimento de apoio.
O uso de redes sociais evolui um processo de exploração e de aprendizagem para todos os participantes. Muitas das tecnologias e suas aplicações são emergente, que significa que é impossível prever em detalhes quais serão os resultados de seu uso. Assim, os educadores devem estar pilotando aplicações educacionais em seus cursos para oferecer oportunidades para si e para os seus alunos a explorar e avaliar o efeito das redes sociais ferramentas usar na sua aprendizagem formal e informal.
A educação dos nossos dias decorre, e pode decorrer cada vez mais, em espaços comunitários. As nossas salas de aula e as nossas escolas reúnem, já, várias das condições necessárias para, se nos empenharmos, as transformarmos em efetivas comunidades de aprendizagem. Os espaços virtuais de aprendizagem electrónica que o “e-learning” nos promete poderão oferecer ainda mais condições, se evitarmos reduzi-los a visões que os aproximam dos modelos mecanicistas ainda prevalecentes.
É nesse sentido que acreditamos que o grande desafio da escola do futuro é o de criar comunidades ricas de contexto onde a aprendizagem individual e coletiva se constrói e onde os aprendentes assumem a responsabilidade, não só da construção do seu próprio saber, mas também da construção de espaços de pertença onde a aprendizagem coletiva tem lugar.

Referências:

Anderson,T.(2009). Social Networking in Education. http://terrya.edublogs.org/2009/04/28/social-networking-chapter/

Etienne Wenger,E., Trayner, B & Laat,M. (2011) Promoting and assessing value creation in communities and networks: a conceptual framework, Ruud de Moor Centrum: Neederlands.

Figueiredo, A.D. (2002). Redes e educação: a surpereendente riqueza de um conceito, in Conselho Nacional de Educação (2002), Redes de Aprendizagem, Redes de Conhecimento, Conselho Nacional de Educação, Ministérios da Educação, Lisboa.

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