Resenha dos vídeos de Michael Welsch

Michael Welsch

 

O professor Michael Welsch, da Universidade de Kansas (EUA), vem fazendo estudo, sobre a relação dos indivíduos com o You Tube. É ele o responsável pelo grupo Digital Ethnography.

Michael Welsch demonstra muito bem, em seu trabalho de investigação, como a sociedade em rede, surgida com o advento da Internet, está mudando o ensino-aprendizagem atualmente. Michael Welsch, como educador, é um agente deflagrador dessa mudança, ao considerar ser mais importante ajudar os estudantes a construírem questões do que querer continuar o papel tradicional do professor.

Por isso, temos aqui um pioneiro que promove a mudança de um paradigma educativo. Como para ele o educador não pode ser a autoridade que entra na sala para transmitir informação e sim ser aquele que precisa conhecer os anseios dos alunos para preparar as aulas. Michael Welsch age desta mesma forma fazendo com que a construção dos novos conhecimentos seja feita com os alunos.

Dos quatro vídeos apresentados podemos tirar as seguintes informações.

  1. 1.      The Machine is Us/ing Us

 

Este vídeo mostra-nos a evolução da Web desde os primórdios do html até à situação atual, onde o hipertexto não é apenas a criação de uma ligação entre textos. Ele revela as vantagens do texto digital por oposição ao texto de suporte de papel, onde todos podem proceder à construção de conhecimentos mais específicos e enriquecedores, passando de meros utilizadores a dinâmicos produtores. A Web 2.0 vem inaugurar um cenário comunicativo sem precedentes onde todos podem ter acesso à sua utilização sem exigir grandes conhecimentos.

  1. 2.      The Machine is (Changing) Us

 

The Machine is (Changing) Us mostra-nos Michael Welsch fazendo uma comparação entre as perspectivas de Aldous Huxley e Orwel, é uma gravação da palestra de Michael Welsh sobre as novas mídias e as novas formas de interação que emergem no YouTube. MW afirma esta última como a mais próxima dos novos tempos. As pessoas acessam imensa informação, fornecida pelas mídias, enfadando-se até à morte. Ele apresenta a ideia que as mídias não são apenas instrumentos, mas sim um sistema muito complexo. Existem duas utilizações associados a essa ideia que são os modelos centrados em si próprios para auto realização, que provocam distanciamento das outras pessoas e a negação de horizontes de significância, que leva à fragmentação, que tem como resultado muitas opiniões de muitas pessoas, não criando um senso em comum.

Welsch faz o paralelismo entre o cidadão moderno confuso e desagregado da sua própria sociedade com o cidadão virtual. Onde, aparecem duas vertentes: por um lado, a autoafirmação em detrimento da participação cívica; e de outro, a fragmentação das crenças e dos interesses individuais.

3. Students Helping Students

 

Aqui Welsch mostra-nos o primeiro dia de aulas de uma universidade no Kansas, EUA. Onde reina um ambiente de coleguismo, compartilhamento, colaboração. Ele foca a colaboração e a importância de se valorizar os aspectos sociais.

4. A Vision off  Students Today

Este vídeo aponta para o fato da sala de aula estar presa a um modelo de escola, segundo o qual os alunos ainda aprendem de forma tradicional e sem grande significado para a sua vida diária, transmite-nos a sensação do vazio do ensino – aprendizagem, de uma transposição didática sem relevância. A utilização do computador durante as aulas tem outras finalidades que não as relacionadas com aprendizagens adequadas aos objetivos e conteúdos educacionais. Para isso se altere, torna-se necessário que os alunos aprendam a utilizar a tecnologia não somente para entretenimento ou para se socializarem, mas para criar algo novo, de valor para o mundo, já que todos podem ser produtores. A preparação para a vida requer uma educação que prepare os indivíduos para a sociedade da informação, que tem por base novas formas de agir, novas formas de relacionamento, novas formas de partilhar e participar.
É importante perceber ainda que, sendo utilizadores das novas tecnologias, os estudantes procuram dar novos significados à informação que encontram e constroem no cibermundo. Portanto, este mundo virtual é também o seu espaço de aprendizagem. Segundo Welsch, os estabelecimentos de ensino têm não só de acolher esses novos significados, como também lhes dar a relevância que só a educação sabe fazer.·.

Estes quatro vídeos revelam como os jovens dividem seu tempo entre o ensino formal e os meios de comunicação e o quanto, estes últimos, interagem com o dia-a-dia deles de forma natural e indispensável Por fim, procura marcar o papel central que os estudantes têm na formação dos novos saberes, enquanto agentes da sociedade em rede. Isto será uma forma de integrar as consequências do impacto da Internet na educação.

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INFORMAÇÃO NA REDE: PADRÕES DE QUALIDADE

Rossana Marinho

 “O desentendimento é tão possível quanto o entendimento e em toda    comunicação há suficiente ruído para que possa deturpada, tanto em quem emite, quanto em quem recebe” Demo (2005 p 67)                                                                                             

A Internet deu às pessoas de todos os cantos do planeta a possibilidade de serem ouvidas e de se fazerem ouvir. Seja por meio de blogs, vídeos, imagens ou quaisquer outros recursos, todos os dias as informações produzidas por esses autores “anônimos” aumentam espantosamente. Mas quanto se aproveita delas? Dependerá do usuário e da informação que procura, por exemplo.

A informação atualizada assume, cada vez mais, importante papel, tornando-se imprescindível par crescimento e/ou sobrevivência de organizações e profissionais. Desta forma, nas últimas décadas houve notável crescimento de fontes eletrônicas.

A quantidade de informações disponíveis na Internet diariamente a facilidade para disponibilizar essas informações e a velocidade com que elas podem se modificar são fatores que exigem, cada vez mais, a adoção de algum tipo de critério para avaliar a qualidade da informação no momento de selecioná-la. A preocupação com a qualidade deve ser uma constante no dia-a-dia de quem lida com a informação, principalmente, no caso da informação que subsidia pesquisas e atividades profissionais.

A literatura existente que trata da qualidade dos recursos de informação na internet é abundante, tanto dos meios impressos quanto na rede, e a importância e a necessidade de avaliar esses recursos é ressaltada. O problema está centrado no excesso de informações incompletas, desconexas e inexatas.

A qualidade da informação é um dos mais importantes aspectos a serem considerados, devido ao volume exponencialmente crescente de informações veiculadas na rede, os conteúdos das páginas institucionais ou de quaisquer documentos que são disponibilizados necessitam de filtros para minimizar o excesso de informação tornada disponível.

Na Ciência da Informação a qualidade está relacionada tanto ao produto (informação) que assegure a satisfação de um conjunto de critérios, quanto a um serviço que possa proporcionar a satisfação do usuário. Não existe um indicador único e perfeito que permita afirmar se uma fonte contém informação de qualidade.  A conversa e a troca sobre informação científica na rede passam, assim, a ser entre atores não cientistas, em busca de informação que em princípio estava longe de seu alcance ou de pouco entendimento por ser um conteúdo técnico.

A qualidade de uma informação ou de uma fonte de informação está diretamente relacionada ao seu uso, ou seja, ao usuário que dela necessita. Para que uma fonte seja de qualidade, deve atender a propósitos específicos de uma comunidade de usuários e isso requer avaliação.

A avaliação de fintes de informação pode ser feita por intermediários e pelos usuários finais. Quando avaliadas pelo profissional o objetivo normalmente é prover informação de qualidade para que o usuário tenha acesso facilitado, mas o usuário final deve ser o último a julgar seu valor e sua pertinência.

A credibilidade e qualidade das fontes de informação na rede envolvem profissionais de informação e profissionais de diferentes áreas, como os de informática.

A qualidade de uma fonte, relaciona-se intrinsecamente com seus objetivos, quer dizer, a fonte deve proporcionar ou oferecer o que se propõe.

Indicadores de qualidade da informação: a literatura em evidência

Qualidade, relevância e acessibilidade são atributos que estão interconectados e são subjetivos. Todos têm direito à aquisição de conhecimento à sua escolha e precisam de destreza para obtê-lo com a qualidade que julgar necessária, mas poucos cidadãos estão preparados para escolher a informação que irão utilizar. Tarefa difícil para a maioria dos usuários, porque, geralmente, não há nenhum mecanismo de controle de qualidade disponível na rede.

Parâmetros de avaliação para fontes de informação na rede

De acordo com Tomaél (2008), os indicadores e critérios para avaliar fontes de informação na Internet, constituem parâmetros que podem ser aplicados a determinados contextos e circunstâncias em que seja necessário analisar a informação que se disponibiliza.

Os parâmetros são diretrizes que auxiliam os profissionais da informação, a partir do conhecimento da comunidade para a qual prestam serviços, a selecionar fontes de informação na Internet com a qualidade necessária para alcançar propósitos almejados.

Os indicadores representam propósitos mais amplos, que tem como fim analisar uma fonte a partir de variáveis possíveis de serem avaliadas, constituem-se em diretrizes gerais propostas que podem servir de parâmetro para observar as mesmas características em uma determinada fonte.

Os critérios são mais específicos, são padrões possíveis de serem aplicados para proceder à avaliação de uma fonte, com o propósito de tomada de decisão, decisão essa que poderá definir se uma fonte específica atende as necessidades de informação de uma comunidade ou grupo de usuários.

A tabela abaixo foi baseada Tomaél (2008) onde cada indicador tem um grupo de critérios e para cada critério foi disposto um conjunto de parâmetros possíveis de servirem para análise e avaliação de fontes. Ferramentas básicas que auxiliam, identificam, analisam e selecionam fontes.

Indicador

Critérios

Arquitetura da Informação

  • Mídias (CD-ROM, internet…).
  • Acessibilidade (disponibilidade, interpretação, auxílio ao uso, agilidade…).
  • Usabilidade (consistência da interface, facilidade do uso, estrutura da informação e design).
  • Organização (estrutura dos conteúdos…).
  • Navegação (interatividade, hipertextualidade, hipermidiação…).
  • Rotulagem (identificação do conteúdo, fluxo da navegação, linguagem…).
  • Busca (índice, mapa do site, auxílio na pesquisa).
  • Segurança
  • Interoperabilidade (interface de pesquisa…).

Aspectos Intrínsecos

  • Precisão (veracidade…)
  • Facilidade de compreensão (clareza…).
  • Objetividade (factual…)
  • Consistência e relevância (cobertura, coerência, agregação de valor, exatidão…).
  • Atualização
  • Integridade (completeza…)
  • Alcance (amplitude da informação…).

Credibilidade

  • Autoridade/confiabilidade
  • Responsabilidade

Contextuais

  • Conveniência
  • Estabilidade
  • Adequação
  • Facilidade de acesso

Representação

  • Formato
  • Adequação da representação do assunto
  • Clareza da definição e precisão de domínios
  • Representação concisa e consistente

Aspectos de Compartilhamento

  • Arquitetura de participação
  • Produtor e consumidor
  • Folksonomia (Togging)

A avalição das fontes de informação deve considerar o perfil do usuário e os objetivos estratégicos da organização/instituição, de acordo com o uso que se pretende fazer. Os parâmetros propostos por Tomaél (2008) devem ser revistos e não tem a pretensão de serem definitivos. De modo geral, a falta de organização na disponibilização das informações e a insipiência de mecanismos de recuperação que atendam a um perfil de interesse, têm prejudicado o resgate da informação na rede. A evolução das tecnologias proporcionou maior acesso à informação, contudo a de se atentar para a grande quantidade de informação sem relevância.

É indiscutível a vertiginosa evolução da tecnologia de informação, principalmente nas duas últimas décadas; por consequência a Internet tornou-se uma excelente fonte de consulta. No entanto, o que se procura na fonte de informação confiável é a neutralidade comum à notícia jornalística, porque a informação propriamente dita já foi localizada. Deseja-se averiguar a validade dos argumentos do autor, visto que não são reconhecidos com autoridade no assunto, exceto blogs de colunistas de jornais ou revistas. Assim não fica difícil informar-se pela internet, mas acreditar naquilo que se lê no ambiente virtual, ainda é um dos problemas da nova era.

Então, o que todos nós precisamos entender é que a internet é uma fonte de “informações questionáveis”. Você pode afirmar algo e dizer que você viu na internet, mas você não pode dizer que algo é verdade porque você viu na internet. Toda informação é tendenciosa, depende da gente como vamos repassar ela adiante.

Também precisamos entender que a internet é uma mídia de muito mais velocidade do que qualquer outra, algo próximo do “tempo real”. Esse fator do “instantâneo” faz com que os grandes portais de notícias lutem para ver quem vai publicar primeiro sobre determinada notícia. Essa pressa de publicação aliada à falta de confirmação de fonte levam o jornalismo online para o patamar de “apenas informação”.

De agora em diante, tudo que você ver publicado em algum lugar (mesmo aqui no Midiatismo), questione, confirme, reflita. Nos meios digitais tudo é facilmente distorcido e modificado.

Referências;

TOMAÉL, Maria Inês (organizadora). Fontes de informações na internet – Londrina: EDUEL, 2008.

http://mundobibliotecario.wordpress.com/2008/07/28/sobre-a-credibilidade-da-informação

GONÇALVES, Márcio. Wikipedia: validade da informação científica na Internet. Rio de Janeiro: UFRJ/IBICT, 2013.

http://www.bocc.ubi.pt/pag/serra-paulo-credibilidade-web.pdf

http://www.midiatismo.com.br/jornalismo/a-internet-e-fonte-de-informacoes-nao-de-noticias-mas-sera-uma-fonte-confiavel

CIBERCULTURA – um pequeno estudo

Por Rossana Marinho

Entendendo o conceito de cibercultura como a forma sociocultural que se espelha na relação de trocas entre a sociedade englobando a cultura e as novas tecnologias de base, onde destacamos as comunidades como propulsoras da popularização da internet, por exemplo, além de outras tecnologias.

Podemos dizer que a cibercultura é uma nova maneira de compreender as relações tecnológicas que se estabelecem na sociedade. Ela é um espaço de comunicação, uma migração do mundo real para o imaginário que possibilita aos indivíduos uma gama infinita de criação e recriação do seu próprio espaço social.

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Desde o final da década de 90, a introdução da tecnologia de informação e comunicação na educação é aceita por sistemas de ensino em todo o mundo como uma etapa do desenvolvimento educacional na história da humanidade. Neste sentido os governos nacionais têm investido maciçamente na compra de equipamentos, softwares e formação docente contínua, à medida que surge recursos tecnológicos inovadores.

Pierre Lévy, um dos mais influentes filósofos da atualidade, que trabalha a questão da cibercultura e da inteligência coletiva; é um otimista das novas tecnologias de comunicação e acredita que a humanidade, pelo fenômeno da popularização da internet caminha para a construção de um novo espaço do saber, no qual todos os seres humanos estarão interligados em tempo real. Para que isto aconteça é necessário que implementemos mudanças urgentes no ensino tradicional, reconfigurando práticas educomunicativas de acordo com o novo cenário sócio técnico atual, frente ao aparecimento de novas formas de comunicação interativa e da quantidade enorme de conteúdos informativos na rede.

A cibercultura também se faz presente na educação por meio de múltiplas linguagens, múltiplos canais de comunicação e em temporalidades distintas. Apesar dos evidentes benefícios para o processo de ensino-aprendizagem, devemos repensara a influência da internet e das novas tecnologias em nossa cultura, conscientes de seus pontos fortes e fracos.

Podemos encontrar exemplos cibercultura cultura em diferentes aspectos dentro da web. As comunidades de aprendizagem seria um deles – os cursos em EAD e e-Learning dos centros de aprendizagem das Universidades a nível mundial, como também o REAs, blogs, wikis etc. As redes sociais que fazem parte do dia-a-dia das pessoas que as utilizam para conhecimento e comunicação. E a arte em forma de música e/ou vídeo onde se faz o download ao invés de se comprar um disco, a divulgação do trabalho e da cultura de uma região é feita instantaneamente e reutilizada por cidadão em locais distintos.

Referências:

http://www.grupoa.com.br

http://www.modle.ufba.br

turma7e20092.bligoo.com

joaquimpel4.blogspot.com.br

Lévy, Pierre. Cibercultura; tradução de Carlos Irineu da Costa – São Paulo. Ed 34, 1999, 264p (Coleção TRANS)

Cibercultura – O que muda na educação, Um Salto para o Futuro . Ministério da Educação – Brasil