INFORMAÇÃO NA REDE: PADRÕES DE QUALIDADE

Rossana Marinho

 “O desentendimento é tão possível quanto o entendimento e em toda    comunicação há suficiente ruído para que possa deturpada, tanto em quem emite, quanto em quem recebe” Demo (2005 p 67)                                                                                             

A Internet deu às pessoas de todos os cantos do planeta a possibilidade de serem ouvidas e de se fazerem ouvir. Seja por meio de blogs, vídeos, imagens ou quaisquer outros recursos, todos os dias as informações produzidas por esses autores “anônimos” aumentam espantosamente. Mas quanto se aproveita delas? Dependerá do usuário e da informação que procura, por exemplo.

A informação atualizada assume, cada vez mais, importante papel, tornando-se imprescindível par crescimento e/ou sobrevivência de organizações e profissionais. Desta forma, nas últimas décadas houve notável crescimento de fontes eletrônicas.

A quantidade de informações disponíveis na Internet diariamente a facilidade para disponibilizar essas informações e a velocidade com que elas podem se modificar são fatores que exigem, cada vez mais, a adoção de algum tipo de critério para avaliar a qualidade da informação no momento de selecioná-la. A preocupação com a qualidade deve ser uma constante no dia-a-dia de quem lida com a informação, principalmente, no caso da informação que subsidia pesquisas e atividades profissionais.

A literatura existente que trata da qualidade dos recursos de informação na internet é abundante, tanto dos meios impressos quanto na rede, e a importância e a necessidade de avaliar esses recursos é ressaltada. O problema está centrado no excesso de informações incompletas, desconexas e inexatas.

A qualidade da informação é um dos mais importantes aspectos a serem considerados, devido ao volume exponencialmente crescente de informações veiculadas na rede, os conteúdos das páginas institucionais ou de quaisquer documentos que são disponibilizados necessitam de filtros para minimizar o excesso de informação tornada disponível.

Na Ciência da Informação a qualidade está relacionada tanto ao produto (informação) que assegure a satisfação de um conjunto de critérios, quanto a um serviço que possa proporcionar a satisfação do usuário. Não existe um indicador único e perfeito que permita afirmar se uma fonte contém informação de qualidade.  A conversa e a troca sobre informação científica na rede passam, assim, a ser entre atores não cientistas, em busca de informação que em princípio estava longe de seu alcance ou de pouco entendimento por ser um conteúdo técnico.

A qualidade de uma informação ou de uma fonte de informação está diretamente relacionada ao seu uso, ou seja, ao usuário que dela necessita. Para que uma fonte seja de qualidade, deve atender a propósitos específicos de uma comunidade de usuários e isso requer avaliação.

A avaliação de fintes de informação pode ser feita por intermediários e pelos usuários finais. Quando avaliadas pelo profissional o objetivo normalmente é prover informação de qualidade para que o usuário tenha acesso facilitado, mas o usuário final deve ser o último a julgar seu valor e sua pertinência.

A credibilidade e qualidade das fontes de informação na rede envolvem profissionais de informação e profissionais de diferentes áreas, como os de informática.

A qualidade de uma fonte, relaciona-se intrinsecamente com seus objetivos, quer dizer, a fonte deve proporcionar ou oferecer o que se propõe.

Indicadores de qualidade da informação: a literatura em evidência

Qualidade, relevância e acessibilidade são atributos que estão interconectados e são subjetivos. Todos têm direito à aquisição de conhecimento à sua escolha e precisam de destreza para obtê-lo com a qualidade que julgar necessária, mas poucos cidadãos estão preparados para escolher a informação que irão utilizar. Tarefa difícil para a maioria dos usuários, porque, geralmente, não há nenhum mecanismo de controle de qualidade disponível na rede.

Parâmetros de avaliação para fontes de informação na rede

De acordo com Tomaél (2008), os indicadores e critérios para avaliar fontes de informação na Internet, constituem parâmetros que podem ser aplicados a determinados contextos e circunstâncias em que seja necessário analisar a informação que se disponibiliza.

Os parâmetros são diretrizes que auxiliam os profissionais da informação, a partir do conhecimento da comunidade para a qual prestam serviços, a selecionar fontes de informação na Internet com a qualidade necessária para alcançar propósitos almejados.

Os indicadores representam propósitos mais amplos, que tem como fim analisar uma fonte a partir de variáveis possíveis de serem avaliadas, constituem-se em diretrizes gerais propostas que podem servir de parâmetro para observar as mesmas características em uma determinada fonte.

Os critérios são mais específicos, são padrões possíveis de serem aplicados para proceder à avaliação de uma fonte, com o propósito de tomada de decisão, decisão essa que poderá definir se uma fonte específica atende as necessidades de informação de uma comunidade ou grupo de usuários.

A tabela abaixo foi baseada Tomaél (2008) onde cada indicador tem um grupo de critérios e para cada critério foi disposto um conjunto de parâmetros possíveis de servirem para análise e avaliação de fontes. Ferramentas básicas que auxiliam, identificam, analisam e selecionam fontes.

Indicador

Critérios

Arquitetura da Informação

  • Mídias (CD-ROM, internet…).
  • Acessibilidade (disponibilidade, interpretação, auxílio ao uso, agilidade…).
  • Usabilidade (consistência da interface, facilidade do uso, estrutura da informação e design).
  • Organização (estrutura dos conteúdos…).
  • Navegação (interatividade, hipertextualidade, hipermidiação…).
  • Rotulagem (identificação do conteúdo, fluxo da navegação, linguagem…).
  • Busca (índice, mapa do site, auxílio na pesquisa).
  • Segurança
  • Interoperabilidade (interface de pesquisa…).

Aspectos Intrínsecos

  • Precisão (veracidade…)
  • Facilidade de compreensão (clareza…).
  • Objetividade (factual…)
  • Consistência e relevância (cobertura, coerência, agregação de valor, exatidão…).
  • Atualização
  • Integridade (completeza…)
  • Alcance (amplitude da informação…).

Credibilidade

  • Autoridade/confiabilidade
  • Responsabilidade

Contextuais

  • Conveniência
  • Estabilidade
  • Adequação
  • Facilidade de acesso

Representação

  • Formato
  • Adequação da representação do assunto
  • Clareza da definição e precisão de domínios
  • Representação concisa e consistente

Aspectos de Compartilhamento

  • Arquitetura de participação
  • Produtor e consumidor
  • Folksonomia (Togging)

A avalição das fontes de informação deve considerar o perfil do usuário e os objetivos estratégicos da organização/instituição, de acordo com o uso que se pretende fazer. Os parâmetros propostos por Tomaél (2008) devem ser revistos e não tem a pretensão de serem definitivos. De modo geral, a falta de organização na disponibilização das informações e a insipiência de mecanismos de recuperação que atendam a um perfil de interesse, têm prejudicado o resgate da informação na rede. A evolução das tecnologias proporcionou maior acesso à informação, contudo a de se atentar para a grande quantidade de informação sem relevância.

É indiscutível a vertiginosa evolução da tecnologia de informação, principalmente nas duas últimas décadas; por consequência a Internet tornou-se uma excelente fonte de consulta. No entanto, o que se procura na fonte de informação confiável é a neutralidade comum à notícia jornalística, porque a informação propriamente dita já foi localizada. Deseja-se averiguar a validade dos argumentos do autor, visto que não são reconhecidos com autoridade no assunto, exceto blogs de colunistas de jornais ou revistas. Assim não fica difícil informar-se pela internet, mas acreditar naquilo que se lê no ambiente virtual, ainda é um dos problemas da nova era.

Então, o que todos nós precisamos entender é que a internet é uma fonte de “informações questionáveis”. Você pode afirmar algo e dizer que você viu na internet, mas você não pode dizer que algo é verdade porque você viu na internet. Toda informação é tendenciosa, depende da gente como vamos repassar ela adiante.

Também precisamos entender que a internet é uma mídia de muito mais velocidade do que qualquer outra, algo próximo do “tempo real”. Esse fator do “instantâneo” faz com que os grandes portais de notícias lutem para ver quem vai publicar primeiro sobre determinada notícia. Essa pressa de publicação aliada à falta de confirmação de fonte levam o jornalismo online para o patamar de “apenas informação”.

De agora em diante, tudo que você ver publicado em algum lugar (mesmo aqui no Midiatismo), questione, confirme, reflita. Nos meios digitais tudo é facilmente distorcido e modificado.

Referências;

TOMAÉL, Maria Inês (organizadora). Fontes de informações na internet – Londrina: EDUEL, 2008.

http://mundobibliotecario.wordpress.com/2008/07/28/sobre-a-credibilidade-da-informação

GONÇALVES, Márcio. Wikipedia: validade da informação científica na Internet. Rio de Janeiro: UFRJ/IBICT, 2013.

http://www.bocc.ubi.pt/pag/serra-paulo-credibilidade-web.pdf

http://www.midiatismo.com.br/jornalismo/a-internet-e-fonte-de-informacoes-nao-de-noticias-mas-sera-uma-fonte-confiavel

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